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Qual a maior obra de Leonardo Da Vinci?

Monalisa
A Santa Ceia
Perspactiva na Pintura
O Homem Vitruviano
Madona das Rochas



 
 

Primeiros trabalhos
pinturas da dÉcada de 1470

Não muito longe de Empoli, nasceu, em 1452, Leonardo da Vinci, no seio de uma família cujas posses equivaliam à riqueza das famílias que hoje chamamos classe-média, instruída e altruista. Jovem, Leonardo revelou desde cedo uma aptidão genial para o desenho, área em que, técnicamente, mais se destacou, pelo menos na sua carreira prematura.

Segundo, Giorgio Vasari, sua família, amiga íntima da família de Andrea del Verrocchio, tinha um estreito contacto com a arte florentina. Ser Piero (Messer Piero), pai de Da Vinci, levou um dia alguns dos trabalhos de Leonardo ao atelier do pintor, questionando-o sobre o eventual talento de Leonardo e se valeria a pena investir no jovem. Verrocchio ficou espantado com a habilidade de Leonardo e prontamente aceitou o jovem no seu estúdio.

Retrato de Bernardo di Bandino Baroncelli executadoOs trabalhos prematuros de Leonardo resumiam-se, de facto, a desenhos, esboços a carvão, tinta nanquim ou aguada. Embora somente se conheçam dois retratos masculinos a óleo na sua obra, o pintor explorou com ênfase o retrato da virilidade masculina, um interesse que se revela mesmo neste tempo de aprendiz. Um dos seus trabalhos mais intrigantes deste início de carreira, é Retrato de Bernardo di Bandino Baroncelli executado, de 1479, já no estúdio de Verrocchio, a pena e tinta, mas é Guerreiro Antigo, realizado a caneta de aparo sobre papel preparado, que conclui o maior registo desenhado, realizado em 1472. O primeiro é o retrato do cadáver do assassino de Giuliano de Médicis, pendurado na janela do Palazzo del Capinano a 29 de Dezembro de 1479. Na inscrição no topo do papel, Leonardo descreve o vestuário do executado, incluindo as cores. Na margem inferior direita do trabalho aparece ainda uma cabeça. Referência notável para o seu trabalho, é a facilidade e o domínio do traço, que revelaria mais tarde no pincel.

Por volta desta época, inicia uma série de estudos meticulosos que o levariam a concretizar no futuro trabalhos como Madonna del garofano ou A Anunciação. O estudo do panejamento das personagens das obras são um dos marcos do seu percurso artítico, concebidos com uma primazia notável. Baseando-se em esculturas ou modelos de madeira ou barro, cobertos por panejamentos e jóias - algo em voga, para não ter que pagar cortesãs para posarem para si - Leonardo desenvolveu as suas competências no desenho e sabendo-o bem, no seu Tratado de Pintura, aconselha os artistas a praticarem o desenho através do estudo de relevos e esculturas. Estes estudos, primeiramente postos em prática pelo artista, prepararam um génio sagaz e um mestre inconfundível. O humanista Paolo Giovio e o biógrafo de Da Vinci Giorgio Vasari referem constantemente nas suas obras, a perfeição do jovem artista nos seus desenhos, já no seu início como artista. Vasari refere mesmo que «os desenhos de Da Vinci são tão perfeitos e relatam tão incansável procura por novos detalhes, com um esforço de imaginação soberbo, que dificilmente os conseguem igualar.»

Nesta época Leonardo desenvolveu um vitium (na acepção portuguesa, uma «obcessão») pela perfeição das obras e desenvolveu imensamente a sua técnica, que o levou a criar outras inéditas, como o sfumato, hoje conhecido através da Mona Lisa. Tal exigência para consigo próprio levaria à inconclusão de diversos trabalhos, pois assim que os iniciava punha-os de lado, tal era a rapidez e eficácia com que aprendia novas técnicas.

Paisagem do ArnoAo mesmo tempo que realizava os seus famosos estudos de panejamento, Leonardo concretizou vários desenhos e estudos a partir da natureza. Estes são tipificados pelo trabalho que produziu ainda enquanto aprendiz, assim como uma das primeiras obras datadas constantes entre a colecção da Galeria dos Uffizi, actualmente. No canto superior de Paisagem do Arno aponta, na sua acostumada escrita invertida, «no dia de Santa Maria do Milagre da Neve, 5 de Agosto de 1473». Estudo a pena e tinta sobre um suporte preparatório quase invisível, mostra a vista sobre um vale com montes e escarpas de ambos os lados, abrindo no fundo uma escassa visibilidade do mar. A vista poderá ser do caminho entre Vinci e Pistoia e, provavelemnte, terá sido esboçado a lápis ao ar livre in loco, e depois completada a pena e tinta no atelier. No início do século xx, Woldemar von Seidlitz compreendeu as fortificações de Papiano nas muralhas e torres numa colina à esquerda da composição. A importância deste desenho não se reflete só no facto de ter sido feito por Leonardo, mas sim, em figurar como um dos primeiros desenhos autónomos de paisagens de toda a História da Arte.

Estes estudos da natureza e de modelos vivos eram postos em prática nas suas obras pintadas, como em O Baptismo de Cristo, onde, conclusivamente, pintou o anjo que segura algumas roupas. Porém, a figura do anjo é, de longe, muito melhor pintada que as figuras pintadas por Andrea del Verrocchio.

O Batismo de CristoEntre os trabalhos iniciais de Leonardo encontra-se A Virgem de Granada (pintado em parceria com Lorenzo di Credi) e o O Batismo de Cristo, realizado em parceria com Verrocchio. Na verdade foi este último que pintou a maior parte da obra, sendo que Da Vinci só pintou um dos anjos da esquerda e parte da paisagem. Ambos pintados provavelmente após a conclusão da A Anunciação (primeira versão).

Deste tempo em que estudava e aprendia pintura no estúdio de Verrocchio, datam mais duas obras, todas elas retratando a A Anunciação. A primeira, uma obra grande (98 x 217cm) mas que antevia um génio plural, teve como base inspiradora Fra Angelico e Lorenzo di Credi, colega de atelier de Leonardo. O primeiro que bem conhecia o tema pois pintou-o várias vezes. A segunda é muito menor, 14 x 59 cm.

Nos anos em que Leonardo era somente um mero aprendiz, uma das suas fontes inspiradoras foram as pinturas de Fra Angelico, pautadas por um conhecimento rico da perspectiva e, ainda hoje, um dos mais célebres pintores italianos.

Anunciação de Fra angélicoEm ambas as pinturas, de ambos autores, a Virgem Maria encontra-se sentada ou ajoelhada no parte direita do quadro e o Anjo, de perfil, ricamente trajado, na parte esquerda. Um detalhe importante e interessante da pintura é que o espaço que se situa entre a ponta da mesa e a margem do cipreste em segundo plano, formam algo como uma coluna invisível que separa o quadro em duas partes, a do Anjo e a de Maria.

Na pintura menor (segunda versão do tema, cuja maior parte fora pintada por Lorenzo di Credi), Maria posiciona coloquialmente os seus olhos e as suas mãos num gesto que simboliza a submissão a Deus. Na primeira pintura (em que somente Leonardo pintou), no entanto, Maria não figura como uma personagem submissa, e essa função acarreta-a o Anjo, este sim submisso a Maria. A própria figura de Maria é representada com uma certa monumentalidade, pautada pela sua postura erecta.

Em bela jovem, interrompida na leitura pela inesperada mensagem, coloca o um dedo sobre o sítio onde lia e levanta a mão esquerda em saudação ao Anjo. Nessa pintura, a mais marcante dos primeiros anos do pintor, o jovem Leonardo apresenta a faceta humanista e inteligente da Virgem.

As asas do anjo foram pintadas com precisão naturalista, um exemplo da curiosidade científica típico da carreira de Leonardo. Usou o seu conhecimento sobre as asas de pássaros para fazer as asas do anjo.

Anunciação de Da VinciO trabalho ficou oculto até 1867 quanto foi transferido de um convento próximo a Florença para a Galeria degli Uffizi, também em Florença.

Em 1478, Leonardo da Vinci com a ajuda do seu colega Lorenzo di Credi, pintou pela segunda vez a anunciação, mas desta vez, em um painel pequeno e com medidas muito desproporcionais, o que causou a dificuldade em pintar detalhes minunciosos, ao contrário, a primeira anunciação, fora pintada em um painel de medidas colossais, e muito bem distribuídas (98 x 217 cm), o que, facilitou na colocação de pequenos detalhes. Muitos dos elementos utilizados por Leonardo são repetidos e alterados; ao contrário da Maria da primeira pintura, elegante e que parece possuir autoridade sobre o anjo, na segunda parece surgir subserviente a este (como se ele tivesse autoridade sobre Ela), tal como na obra-prima de Fra Angelico. A sua postura de mulher provocadoramente culta e literada, que encontramos na primeira Anunciação de Leonardo, desaparece na obra pintada com Lorenzo.

Lorenzo di Credi seguiu os passos do seu colega numa constante perseguição visual e interpretativa das suas obras, embora as suas pinturas nunca tenham tido a qualidade das do primeiro, em todos os aspectos, incluido a temática.

Fora pintado também quase no mesmo período, o retrato de Ginevra de' Benci e, em meados dessa década Leonardo iniciou mais duas pinturas: Madona del Garofano (Madona do Cravo, na tradução para português) e a inacabada obra Madona Benois.

Ginevra de' Benci é um retrato, cuja atribuição a Leonardo é questionável, tanto quanto a espressão facial da retratada. Prematuramente noiva de Luigi Niccolini, a juventude de Ginevra alcançou a eternidade com esta pintura. Aos quinze anos de idade, o noivado da jovem aristocrática incentivou os pais a procurarem Leonardo, através do atelier de Verrocchio, a fim de que o primeiro pintásse o retrato comemorativo.

Imediatamente atrás da imagem da jovem, surge uma juniperus. A palavra italiana que define esta árvore é ginepro. Tem-se conta de que o nome da jovem e o da pintura, formem um jogo de palavras e icónico. Contudo, o siginificado renascentista da árvore era a pureza e a castidade. Esta idéia é reforçada pela frase inscrita no verso da pintura: A beleza adorna a virtude.

A expressão facial da jovem é o mais intrigante na pintura. Olhando o espectador com veemência, a incerteza dos seus sentimentos intriga os especialistas; não se sabe se está cansada, triste, serena, zangada, ou seja, um rol de sentimentos inacabáveis que a expressão facial lhe atribui

fonte: Wikipédia/2008                                                                                                             :: topo